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Hantavirose: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Hantavirose: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Sexta, 16 de Agosto de 2019, 12h46 | Última atualização em Sexta, 16 de Agosto de 2019, 16h02

O que é hantavirose?

A Hantavirose é uma zoonose viral aguda, cuja infecção em humanos, no Brasil, se apresentam na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. Na América do Sul, foi observado importante comprometimento cardíaco, passando a ser denominada de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Os hantavírus possuem como reservatórios naturais alguns roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer. A hantavirose é causada por um vírus RNA, pertencente à família Bunyaviridae, gênero Hantavirus.

IMPORTANTE: Nas Américas, a hantavirose se manifesta sob diferentes formas, desde doença febril aguda inespecífica, até quadros pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).

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Quais são os sintomas da hantavirose?

Na fase inicial, a Hantavirose causa os seguintes sintomas:

  • febre;
  • dor nas articulações;
  • dor de cabeça;
  • dor lombar;
  • dor abdominal;
  • sintomas gastrointestinais.

Na fase cardiopulmonar, os sintomas da hantavirose são:

  • febre;
  • dificuldade de respirar;
  • respiração acelerada;
  • aceleração dos batimentos cardíacos;
  • tosse seca;
  • “pressão baixa”.
IMPORTANTE: Nessa fase, também é possível surgir edema pulmonar não cardiogênico, com o paciente evoluindo para insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.

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Como a hantavirose é transmitida?

A infecção humana por hantavirose ocorre mais frequentemente pela inalação de aerossóis, formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. As outras formas de transmissão, para a espécie humana, são:

  • percutânea, por meio de escoriações cutâneas ou mordedura de roedores;
  • contato do vírus com mucosa (conjuntival, da boca ou do nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;
  • transmissão pessoa a pessoa, relatada, de forma esporádica, na Argentina e Chile, sempre associada ao hantavírus Andes.

O período de transmissibilidade do hantavírus no homem é desconhecido. Estudos sugerem que o período de maior viremia seria alguns dias que antecedem o aparecimento dos sinais/sintomas. Já o período de incubação do vírus, ou seja, o período que os primeiros sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é, em média, de 1 a 5 semanas, com variação de 3 a 60 dias.

Fatores ambientais

Diversos fatores ambientais estão associados com o aumento no registro de casos de hantavirose, e estão ligados ao aumento da população de roedores silvestres como, o desmatamento desordenado, a expansão das cidades para áreas rurais e as áreas de grande plantio, favorecendo a interação entre homense roedores silvestres.

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Como é feito o diagnóstico da hantavirose?

Atualmente, os exames laboratoriais para diagnóstico específico da hantavirose são realizados em laboratórios de referência. Os exames estão disponíveis na rede pública de laboratórios para confirmação ou descarte dos casos.

O diagnóstico é feito, basicamente, por meio da sorologia. O Ministério da Saúde disponibiliza os kits necessários para testes sorológicos. 

ELISA-IgM –cerca de 95% dos pacientes com SCPH têm IgM detectável em amostra de soro coletada no início dos sintomas, sendo, portanto, método efetivo para o diagnóstico de hantanvirose.Imunohistoquímica – técnica que identifica antígenos específicos para hantavírus em fragmentos de órgãos. Particularmente utilizada para o diagnóstico nos casos de óbitos, quando não foi possível a realização do diagnóstico sorológico in vivo.

RT-PCR –método de diagnóstico molecular, útil para identificar o vírus e seu genótipo, sendo considerado exame complementar para fins de pesquisa. Observe-se que quando o óbito é recente possibilita a realização de exame sorológico (ELISA IgM), mediante coleta de sangue do coração ou mesmo da veia.

A coleta de amostra deve ser feita logo após a suspeita do diagnóstico, pois o aparecimento de anticorpos da classe IgM ocorre concomitante ao início dos sintomas e permanecem na circulação até cerca de 60 dias, após o início dos sintomas. Quando em amostra única não for possível definir o diagnóstico, deve-se repetir a coleta e realizar uma segunda sorologia somente nas situações em que o paciente apresentar manifestações clínicas fortemente compatíveis com a SCPH e se a primeira amostra foi coletada nos primeiros dias da doença.

A técnica ELISA-IgG, ainda que disponível na rede pública, é utilizada apenas em estudos epidemiológicos, para detectar infecção viral anterior, em roedores ou em seres humanos.

Diagnóstico diferencial da hantavirose

Se necessário, são feitos exames para diagnóstico diferencial, uma vez que alguns sintomas se confundem com o de outras doenças, como septicemia, leptospirose, virose respiratória, pneumonia atípica, dengue e febre hemorrágica de etiologia viral.

  • Doenças de origem infecciosa – Leptospirose, influenza e parainfluenza, dengue, febre amarela e febre do Valle Rift, doenças por vírus Coxsackies, Adenovirus e Arenavirus (febre de Lassa), triquinelose, malária, pneumonias (virais, bacterianas, fúngicas e atípicas), septicemias, rickettsioses, histoplasmose, pneumocistose. 

  • Doenças não infecciosas – abdômen agudo de etiologia variada, síndrome da angústia respiratória (SARA), edema agudo de pulmão (cardiogênico), pneumonia intersticial por colagenopatias (lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide); doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

Leptospirose, influenza e parainfluenza, dengue, febre amarela e febre do Valle Rift, doenças por vírus Coxsackies, Adenovirus e Arenavirus (febre de Lassa), triquinelose, malária, pneumonias (virais, bacterianas, fúngicas e atípicas), septicemias, rickettsioses, histoplasmose, pneumocistose. abdômen agudo de etiologia variada, síndrome da angústia respiratória (SARA), edema agudo de pulmão (cardiogênico), pneumonia intersticial por colagenopatias (lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide); doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

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Como é feito o tratamento da hantavirose?

Não existe um tratamento específico para as infecções por hantavírus. As medidas terapêuticas são fundamentalmente as de suporte, ministradas conforme cada caso por um médico profissional.

Por tratar-se de uma doença aguda e de rápida evolução, a hantavirose / hantavírus (síndrome cardiopulmonar por hantavírus), é de notificação compulsória imediata, devendo portanto, ser notificada em até 24h tanto para as Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, quanto para o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS).

Como a hantavirose é uma doença com transmissão respiratória, profissionais que possam estar expostos, como principalmente trabalhadores rurais, assim como profissionais de saúde que irão realizar investigação à procura do local provável de infecção, devem utilizar os seguintes equipamentos de proteção individual:

  • Máscara pff3.
  • Luva.
  • Avental.
  • Óculos de proteção.

Todo profissional potencialmente exposto ao risco deve ser orientado sobre as formas de transmissão, os períodos de incubação e sinais/sintomas da doença. Quando possível, deve-se, previamente, determinar o nível de risco para cada atividade profissional e identificar as respectivas medidas de prevenção.

IMPORTANTE: Trabalhadores que apresentem febre ou qualquer doença respiratória em um período de até 60 dias após uma possível exposição ou situação de risco devem buscar, imediatamente, assistência médica e relatar ao profissional de saúde a sua história epidemiológica.

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Transporte do paciente com hantavirose

Dada a evolução rápida e progressiva do quadro prodrômico para insuficiência respiratória grave e, até mesmo, choque circulatório, para evitar óbito, o paciente com hantavirose deve ser transportado acompanhado de médico habilitado e em condições que assegurem: 
  • estabilidade hemodinâmica;              
  • parâmetros ventilatórios adequados, com oxigenioterapia e suporte ventilatório mecânico, se necessários;        
  • acesso venoso, sem administração excessiva de líquidos;                
  • controle cardiovascular com uso de aminas vasoativas em doses adequadas;          
  • normas de biossegurança;      
  • mobilização apenas quando necessária e sem desgaste físico do paciente.

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Como prevenir a hantavirose?

A prevenção das hantavirose baseia-se na utilização de medidas que impeçam o contato do homem com os roedores silvestres e suas excretas (resíduos eliminados do organismo).

As medidas de controle devem conter ações que impeçam a aproximação dos roedores, como, por exemplo, roçar o terreno em volta da casa, dar destino adequado aos entulhos existentes, manter alimentos estocados em recipientes fechados e à prova de roedores, além de outras medidas que impeçam a interação entre o homem e roedores silvestres, nos locais onde é conhecida a presença desses animais.

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Situação epidemiológica da hantavirose

Em algumas regiões do Brasil, observa-se um padrão de sazonalidade, possivelmente decorrente da biologia/comportamento dos roedores reservatórios.

Apesar de a doença ser registrada em todas as regiões brasileiras, o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste concentram maior percentual de casos confirmados.A presença da SCPH até o momento é relatada em 16 Unidades da Federação: Pará, Rondônia, Amazonas, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Maranhão, Rio Grande do Norte, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

As infecções ocorrem principalmente em áreas rurais, em situações ocupacionais relacionadas à agricultura, sendo o sexo masculino com faixa etária de 20 a 39 anos o grupo mais acometido.A taxa de letalidade média é de 46,5% e a maioria dos pacientes necessita de assistência hospitalar.

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Viajantes e a hantavirose

Não há evidências de que viagens para áreas de transmissão devam ser restringidas. No entanto, esse perfil de população deve adotar algumas medidas para reduzir, ao mínimo, a possibilidade de infecção pelo hantavírus:

 

  • Cabanas ou abrigos que tenham permanecido fechados ou com sinais evidentes de presença de roedores só devem ser usados depois de arejados, limpos e descontaminados.

  • Acampamentos devem ser montados em lugares afastados de onde haja presença de roedores. Ninhos, escombros, lixões, acúmulos de lenha ou produtos agrícolas, palha ou outros materiais são habitats preferenciais desses animais, evitando-se também escorpiões, aranhas, serpentes e carrapatos, entre outros.

  • Não se deve repousar ou deitar diretamente no solo. Aconselha-se o uso de barraca com piso impermeável.

  • Nesses acampamentos, devem-se manter os alimentos e os resíduos em vasilhames fechados. O lixo deve ser acondicionado em recipientes à prova de roedores durante a estadia, ressaltando que todo resíduo produzido durante essas atividades deve ser recolhido e depositado em local apropriado.

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Publicações sobre a hantavirose

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