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Trombose: causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção

Escrito por Gustavo Frasão | | Publicado: Sexta, 16 de Agosto de 2019, 14h50 | Última atualização em Sexta, 16 de Agosto de 2019, 16h24

O que é trombose?

A trombose ocorre quando há formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias grandes das pernas e das coxas. Esse coágulo bloqueia o fluxo de sangue e causa inchaço e dor na região. O problema maior é quando um coágulo se desprende e se movimenta na corrente sanguínea, em um processo chamado de embolia. Uma embolia pode ficar presa no cérebro, nos pulmões, no coração ou em outra área, levando a lesões graves.

A trombose ocorre, geralmente, após cirurgia, corte ou falta de movimento por muito tempo, sendo mais frequente após procedimentos cirúrgicos ortopédicos, oncológicos e ginecológicos. Apesar de ser um problema que geralmente afeta mais mulheres, homens também podem ter trombose. Em números, quando é avaliada apenas a faixa entre 20 a 40 anos, a incidência de trombose é um pouco maior nas mulheres pela maior exposição a fatores de risco, como anticoncepcionais e gestações.

IMPORTANTE: A trombose, se não tratada corretamente, pode evoluir para algumas complicações, como a embolia, e provocar, inclusive a morte. Por isso, assim que surgirem os primeiros sintomas, procure imediatamente um médico.

Quais são os tipos de trombose?

A trombose pode ser classificada de duas formas:

  • aguda;

  • crônica.

A trombose aguda, na maioria das vezes, é solucionada naturalmente. O próprio corpo utiliza de mecanismos para dissolver os coágulos que provocam o entupimento das veias, sem deixar sequelas e sem evoluir para quadros mais graves.

Já a trombose crônica ocorre quando, durante o processo de dissolução do coágulo natural, ficam sequelas no interior das veias, destruindo a estrutura das válvulas. Por conta dessas alterações nas válvulas, o retorno do sangue fica prejudicado e leva ao aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento e endurecimento da pele, além de feridas e outras complicações.

Trombose: causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção

Formas da trombose

A trombose também pode se manifestar de diferentes formas:

  • A Trombose Venosa Profunda (TVP), condição conhecida popularmente apenas por trombose, é a formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias localizadas da parte inferior do corpo, geralmente nas pernas. É a forma mais comum da trombose.

  • Trombose arterial. Além da Trombose Venosa Profunda, existem também trombos que se formam nas artérias, bloqueando-as totalmente. Quando existe uma obstrução total das artérias do cérebro, por exemplo, ocorre o que é conhecido como Acidente Vascular Cerebral (AVC). Nesses casos, a região a que o sangue não chega sofre um infarto cerebral e morre.

  • Trombose hemorroidaria. Quando uma hemorroida tem a formação aguda de trombos, chamamos isso de uma trombose hemorroidaria. Esse quadro implica no desenvolvimento de um nódulo com edema e de coloração arroxeada na margem anal. É frequentemente acompanhado de dor severa.

IMPORTANTE: Existe diferença entre trombose e tromboflebite. A tromboflebite consiste na inflamação deste coágulo formado quando há uma trombose e tem sintomas como calor na região, vermelhidão e varizes ou veias dilatadas.

O que causa a trombose?

A trombose possui várias causas e fatores de risco. A maior parte delas são evitáveis, então procure sempre um médico e faça exames regularmente, além de manter um estilo de vida saudável. As principais causas da trombose são:

  • uso de anticoncepcionais ou tratamento hormonal;
  • tabagismo;
  • ficar sentado ou deitado muito tempo;
  • hereditariedade;
  • gravidez;
  • presença de varizes;
  • idade avançada;
  • pacientes com insuficiência cardíaca;
  • tumores malignos;
  • obesidade;
  • distúrbios de hipercoagulabilidade hereditários ou adquiridos;
  • história prévia de trombose venosa.
IMPORTANTE: Grávidas e pessoas com imobilização prolongada (paralisias, infarto agudo do miocárdio, viagens aéreas longas) também são estão mais suscetíveis à trombose.

A trombose e o avião

Um medo muito comum das pessoas é o de trombose em viagens de avião. Realmente um vôo é um momento em que o risco deste problema aparecer é maior, já que a pessoa fica sem mover as pernas, o que prejudica o retorno do sangue venoso para o coração.

O problema maior é em pessoas que tem alguma predisposição a ter trombose e estão em um voo. O sintoma mais comum é inchaço de panturrilha, acompanhado ou não de dor e calor local.

O que fazer para evitar trombose no avião?

  • Use roupas confortáveis e um pouco mais largas, que não causem compressão.
  • Use meias elásticas medicinais, prescritas por médico e adequadamente calçadas, que ajudam no retorno venoso.
  • Tome bastante líquido, principalmente água. O líquido, além de hidratar, também motiva a pessoa a se levantar para ir ao banheiro.
  • Evite ficar mais de duas horas parado na mesma posição.

Quais são os sintomas da trombose?

A trombose venosa profunda pode ser absolutamente assintomática. Quando presentes, os principais sintomas são nessa forma da doença são:

  • dor;
  • calor;
  • vermelhidão;
  • rigidez da musculatura na região em que se formou o trombo.

Os pacientes submetidos a cirurgias de joelho, quadril e trauma (como fraturas) são os principais grupos de risco. A trombose que pode ocorrer após uma cirurgia ortopédica é geralmente localizada nas pernas, provocando entupimento da veia, causando dor e inchaço.

Às vezes coágulos podem se soltar, viajando pelo sangue até ‘encalhar’ no pulmão, o que é chamado de embolia pulmonar. Essa condição, que provoca uma súbita falta de ar, pode ser bastante grave e exige atendimento imediato. Sinais claros podem indicar o desenvolvimento de coágulos sanguíneos (trombose):

  • Uma dor diferente da dor da cirurgia
  • Vermelhidão ao longo da perna (que aparece de repente ou inchaço que está piorando)
  • Inchaço na perna (que apareceu de repente ou inchaço que está piorando)
  • Aumento da temperatura (calor) da perna que está doendo
  • Respiração curta e rápida e palpitações, podendo acontecer algum desmaio
  • Tosse com sangue
  • Dor no peito ou nas costas (que não é comum)

Como é feito o diagnóstico da trombose?

Para fazer o diagnóstico da trombose, o médico fará, inicialmente, um exame clínico, com base nos sintomas que cada paciente apresentar. Para confirmar, podem ser solicitados alguns exames, como, por exemplo:

  • Ultrassonografia.

  • Exame de sangue.

  • Venografia.

  • Eco Color Doppler (Ultrassom Vascular).

  • Tomografia e ressonância magnética.

Como é feito o tratamento da trombose?

Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento da trombose deve começar imediatamente. O tratamento tem três objetivos:

  • Impedir o crescimento do coágulo sanguíneo.

  • Impedir que o coágulo sanguíneo avance para outras regiões do corpo e, assim, evitar possíveis complicações.

  • Reduzir as chances de recorrência da trombose.

Durante o tratamento, existem medicamentos e outras formas de complementar o tratamento, conforme indicação médica de acordo com cada caso. Entre as opções estão:

  • Diluidores do sangue, como anticoagulantes, que diminuem as chances de haver coagulação do sangue.

  • Uso de medicamentos para casos mais graves de tromboses e também de embolia pulmonar, conhecidos como heparina.

  • Inserção de filtros na maior veia do abdômen para impedir que os coágulos sanguíneos se desloquem para os pulmões.

  • Meias de compressão para melhorar o edema causado pela trombose.

Quais são as complicações da trombose?

A trombose, dependendo do caso e se não for tratada correta e imediatamente, pode evoluir para algumas complicações. Dependendo do segmento de veia acometido, a trombose pode ser mais ou menos grave. Quando o coágulo obstrui uma pequena veia da perna, causa um transtorno localizado naquela região. Quanto mais
próximo do coração, ou maior a veia, maior será a gravidade da trombose, assim como a possibilidade de matar.

As principais complicações da trombose são:

  • Insuficiência venosa crônica ou síndrome pós-trombótica.
  • Inchaço crônico da perna afetada e/ou dor acompanhado de varizes.
  • Mudanças na pele, que pode se tornar mais escura e seca.
  • Eczema, coceira muito forte que pode levar a uma ferida de difícil cicatrização.
  • Embolia pulmonar (EP). Essa última apresenta alto índice de mortalidade.
  • Embolia pulmonar e trombose.
  • A maior e principal complicação decorrente de trombose é a embolia pulmonar – quando um vaso sanguíneo do pulmão é obstruído por coágulo de sangue, oriundo de outras partes do corpo, especialmente.
  • as pernas. A embolia pulmonar pode ser fatal.
IMPORTANTE: Aproximadamente 5 a 15% de indivíduos não tratados da trombose venosa profunda podem morrer de embolia pulmonar. Os dois quadros podem ocorrer em 2 a cada mil indivíduos por ano.

Mitos e verdades sobre a trombose

1. É possível prevenir a trombose?

VERDADE. Além do acompanhamento médico, qualquer pessoa pode tomar medidas de prevenção. Muitas delas podem ser incorporadas no cotidiano. Algumas das dicas são: exercitar-se ou fazer pequenas caminhadas regularmente; controlar o peso; evitar o cigarro; movimentar as pernas durante longos períodos sentada; usar meias elásticas no caso de insuficiência venosa, sempre com orientação médica.

2. Apenas mulheres têm a trombose?

MITO. A incidência de trombose é igual nos dois sexos quando não estratificado por faixa etária. Quando é avaliada apenas a faixa entre 20 a 40 anos, a incidência é um pouco maior nas mulheres exatamente pela maior exposição a fatores de risco, como os anticoncepcionais e gestações.

3. Dor é um dos sintomas da trombose?

VERDADE. Os membros inferiores são os locais mais comuns de trombose e os principais sintomas são o edema (inchaço), a vermelhidão, a dor e o calor local, além de dor nas pernas.

4. O exame de imagem é essencial para o diagnóstico da trombose?

VERDADE. É imprescindível a realização de um método de imagem sempre quando há suspeita clínica para confirmar e localizar o coágulo.

5. Gestantes podem desenvolver a trombose?

VERDADE. O corpo da mulher passa por uma série de mudanças durante a gravidez. O organismo se prepara para a situação do parto, aumentando as substâncias pró coagulantes no sangue. O resultado é um risco seis vezes maior de trombose durante a gestação. No período de pós-parto, durante aproximadamente 40 dias, esse risco chega a ser 15 vezes maior.

Como prevenir a trombose?

Pequenos cuidados podem prevenir a trombose tanto pós-cirurgia como no cotidiano. Por isso, é fundamental manter-se em movimento, se possível, fazer atividades físicas rotineiramente. Além de ingerir bastante líquido.

As principais formas de prevenir a trombose são:

  • praticar exercícios físicos regularmente;
  • evitar o consumo de álcool e tabagismo;
  • manter uma dieta equilibrada são as principais maneiras de prevenir a trombose.

Caso você tenha que fazer algum tratamento ou tomar algum medicamento, como prevenção de trombose, não fique com dúvidas e pergunte sempre.

Algumas atitudes também ajudam a diminuir o risco de se desenvolver uma trombose.

  • Evitar o aumento do peso corporal.
  • Usar meias elásticas no caso de insuficiência venosa, sempre com orientação médica.
  • Movimentar-se ao máximo no dia, respeitando as limitações orientadas pela equipe de saúde.
  • Realizar exercícios recomendados pela equipe de saúde.
  • Parar de fumar.
  • Ingerir líquidos.
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